Produtos da agricultura familiar contam histórias e refletem identidade como estratégia de futuro para jovens e mulheres de diferentes territórios do Estado.
Diante da crescente padronização dos sistemas alimentares, que tende a invisibilizar culturas locais e modos de produção tradicionais, a possibilidade de acesso à mercados para produtoras e produtores familiares vai além da questão econômica, é uma alternativa para salvaguardar a biodiversidade. A partir da integração de políticas públicas e uma metodologia voltada ao empoderamento social, ambiental e cultural dos alimentos, uma parceria entre a Associação Slow Food do Brasil ASFB com a Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará SDA-CE, por meio do Projeto São José, viabilizou a realização do Slow Food Indica, um percurso estratégico voltado à Comunicação e Valorização de Produtos junto à 12 empreendimentos rurais no Estado.
Compreendendo que todo alimento carrega história e também pertencimento, a proposta teve como base a construção de etiquetas narrativas, que contam histórias reais, capazes de comunicar sobre a origem, os modos de fazer e os valores que sustentam cada produto, apostando na transparência e no protagonismo dos empreendimentos envolvidos. Cada um dos doze projetos produtivos foi acompanhado em uma jornada que articulou identidade, território e mercado, agregando ferramentas de rastreabilidade e divulgação para ampliar os canais de comercialização.
O processo contou com duas oficinas formativas, uma virtual e outra presencial em Fortaleza, bem como uma assessoria personalizada, que reuniu estratégias mercadológicas de comunicação e posicionamento de marca às práticas agroecológicas desenvolvidas nos territórios. Temas como os desafios na comercialização e acesso à mercados, organização coletiva e redes de colaboração foram abordados. Jovens e mulheres, entre eles indígenas, assumiram um papel central nesse percurso, desenvolvendo mais autonomia nas decisões produtivas e organizativas dos seus empreendimentos familiares.
Como fruto do processo de fortalecimento, as iniciativas participantes receberam material promocional personalizado, digital e impresso, desenvolvido a partir de duas metodologias, as Etiquetas Narrativas do Slow Food e o Slow Food Indica, conectando identidade territorial e visual, storytelling e merchandising para fortalecimento dos produtos em pontos de venda, online e offline. “As pessoas vão saber quem somos, como cultivamos e por que o que fazemos tem valor”, afirmou Maria Laís, produtora de mel do Espaço Lavida, localizado no município de Santana do Cariri.
A qualificação dessas iniciativas contribui para consolidar redes locais de comercialização, ampliar a renda das famílias e a sucessão rural, salvaguardando territórios e afirmando a agricultura familiar como vetor de desenvolvimento sustentável no Ceará. “O objetivo é romper com a lógica de mercadoria e devolver à dimensão cultural e territorial ao alimento”, conta Lígia Meneguello, coordenadora de programas da rede Slow Food Brasil, sobre a promoção de produtos do Slow Food Indica. “Mais do que dar acesso à mercados, estamos cultivando caminhos para que sistemas alimentares bons, limpos e justos se tornem realidade”, conclui.
Catálogo de Produtos Slow Food Indica Ceará:

