Terra: a mãe de todas as lutas

Democratizar o acesso à terra e ao alimento bom, limpo e justo é dar condições à vida

Confluindo com o mês de visibilidade às lutas dos povos originários, em abril, iniciaram as atividades presenciais do projeto “Território e Cultura Alimentar no Ceará”. A abertura oficial aconteceu na região do Sertão dos Crateús, na Escola Indígena Aba Katu, e contou com a organização e presença de representantes do COPOINTARA – Conselho do Povo Indígena Tabajara de Rajado, da ASFB – Associação Slow Food do Brasil e da SDA/CE Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, através do Projeto São José, instituições que estão atuando em parceria para realização das ações de fortalecimento territorial e valorização da cultura alimentar do povo Tabajara da Serra das Matas.

Durante o período imersivo na Aldeia Rajado, terra indígena ainda não demarcada, localizada no município de Monsenhor Tabosa, a equipe de consultoras da Associação Slow Food do Brasil foi acolhida pela Cacique Toinha Tabajara, tendo a oportunidade de partilhar o convívio no alpendre  com a sua família. Momentos que permitiram conhecer um pouco mais das histórias enraizadas e dos modos de viver cultivados em torno dos alimentos presentes no território, carregados de sabores e sabedoria, valores ancestrais que vêm sendo transmitidos ao longo das gerações e que se revelam na força e resistência dos povos tradicionais.

“Eles tentaram tirar todo o costume do nosso povo, seus costumes e suas tradições, a sua cultura. Então daí, ficaram as sementes. Essas sementes, elas se enterraram no chão, e essas sementes somos todos nós. Povos guerreiros. As lideranças tradicionais dos movimentos indígenas do estado do Ceará”, conta Dona Toinha.

Comunicação Popular, Plano de Ação e Inventário Cultural

As ferramentas participativas vêm sendo trabalhadas para fortalecer a identidade territorial e a sociobiodiversidade, bem como potencializar a autonomia da comunidade. As atividades de educação patrimonial e de mobilização social incluem convivências entre diferentes gerações e vivências pelo território que contribuem para dinamizar a atuação comunitária na produção de conteúdos para estruturar uma rede cearense de comunicação popular constituída por povos indígenas e outras comunidades tradicionais e agricultoras e pluralizar as possibilidades na construção do “Inventário Participativo da Cultura Alimentar do Povo Tabajara da Serra das Matas: Aldeia Rajado” e do “Plano de Ação para Salvaguarda dos Recursos Naturais e da Cultura Alimentar do Povo Tabajara da Serra das Matas: Aldeia Rajado”. 

Brena Tabajara, uma das lideranças comunitárias da área de saúde, participou ativamente das formações voltadas para comunicadores e inventariantes. Em um dos encontros, a agente de saúde indígena destacou: “Ela é a mãe de todas as lutas. Sem a terra nós não temos alimento saudável, não temos vida, não temos nada. Terra demarcada, vida garantida.”

Mobilizando diversas gerações e fazendo florescer as memórias afetivas, no mês de maio estão previstas as vivências dos grupos temáticos que compõem o processo de inventariamento: preparos culinários, modos de curar, modos de cultivar, casa de farinhas, troncos velhos e modos de pescar, caçar e criar animais. “Ter condições de fazer trabalho em campo no rural hoje em dia é uma conquista muito grande”, afirma a historiadora Gabriella Pieroni, uma das consultoras do projeto. 

O projeto “Território e Cultura Alimentar no Ceará” é uma correalização da ASFB Associação Slow Food do Brasil em parceria com a SDA/CE Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, através do Projeto São José, com  previsão de ações até 2025.

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