O nutricionista, a ciência da Nutrição e a Ecogastronomia: diálogos para uma alimentação boa, limpa e justa

No dia 31 de agosto comemora-se o Dia do Nutricionista, profissão que tem 32 anos de regulamentação no Brasil e que se localiza como uma das mais importantes na formulação de políticas estratégicas para segurança alimentar e nutricional e soberania alimentar em nosso país.

Datas comemorativas servem para ritualizar ciclos e reafirmar compromissos sociais perante ao conjunto da sociedade. No caso da Nutrição, tem o intuito de referenciar o profissional nutricionista como aquele que maneja os dispositivos do comer desde a individualidade até as coletividades, no sentido de promover hábitos alimentares saudáveis e adequados num contexto adverso ao sistema alimentar hegemônico em que vivemos. Significa dizer que a existência desse profissional se justifica pelas complexas repercussões que a alimentação oriunda do sistema capitalista agroindustrial pode causar no contexto biocultural de populações, ambientes e corpos.

É um erro crasso associar a profissão do nutricionista e a ciência da Nutrição com a antítese de sua essência: o nutricionismo. O nutricionismo, como bem denomina Gyorgy Scrinis, se coloca como o reducionismo da ciência da nutrição sob a ótica exclusiva do jogo dos nutrientes, como se esse fenômeno complexo que é a alimentação pudesse ser explicado apenas corpo adentro. A prática da nutricionista brasileira (e me permito a transgressão da língua para reafirmar a sua esmagadora maioria feminina) é de crítica, reflexão e ação sobre o sistema alimentar em que vivemos, sendo assim, engrossa as fileiras daquelas que se preocupam com o futuro do planeta através de uma alimentação que justifique a vida, não que promova a morte.

Portanto, é no encontro com a ecogastronomia, no respeito aos sistemas alimentares locais, no encontro com a agroecologia, que o ofício de nutricionista ganha sentido, ao complexificar o manejo de um fenômeno tão complexo. Hoje é dia de comemorar, pois sabemos que mesmo diante dos desafios que vivemos no Brasil, com a volta da fome e da insegurança alimentar e nutricional nos últimos cinco anos, a presença desse profissional permanece como relevante e fundamental na superação desse cenário.

Texto escrito por Anderson Carvalho, nutricionista e porta-voz da Comunidade Slow Food Alguidá Salvador pela Ecogastronomia e Comida de Verdade

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