Visitas de campo e metodologias participativas para discutir gênero e cadeias de valor no Amazonas.

O projeto Sociobiodiversidade Amazônica, da Associação Slow Food do Brasil, esteve em campo no Amazonas, com Bruno Franques e Zhamis Benício, em três comunidades parceiras, durante os dias 27 de junho a 13 de julho. Estas comunidades são as seguintes com suas respectivas associações: Peniel do Areal e representada pela Associação dos Produtores Orgânicos do Careiro da Várzea (APRORCAV); Brasiléia, rio Urupadi e Associação dos Agricultores Familiares do Alto Urupadi (AAFAU); Ilha Michiles, na Terra Indígena Andirá Marau e Associação dos Indígenas Sateré-Mawé da ilha Michiles e do Baixo Marau – Wepainug (nome em Sateré-Mawé desta Associação). A APROCARV se localiza no município do Careiro da Várzea e a AAFAU e Weipanug no município de Maués.

Mulheres da Comunidade Brasiléia esperam atentas e ansiosas pelo almoço preparado pelos homens da comunidade. Da esquerda para direita : Iracema, Jucinete, Késsia, Gleiciane, Deuzinete (05/07/22).
Homens da comunidade Brasiléia durante a oficina de ecogastronomia. Da esquerda para direita: Thevis e Cristo (05/07/22).

Nestas atividades foram desenvolvidas uma série de metodologias participativas nas atividades em grupo, como o World Café, Cartografia Social, Oficina de Ecogastronomia com os homens, entre outras. Somado a isso, ocorreu a aplicação de duas ferramentas de desenvolvimento de cadeias de valor sensíveis ao gênero, da Agência de Cooperação Técnica da Alemanha (GIZ) no Brasil: Mapeamento da cadeia de valor sensível ao gênero (Ferramenta 1) e Análise de gênero de uma organização de produtores e produtoras (Ferramenta 3). O material que descreve estas ferramentas pode ser encontrado aqui

Comunitários do Peniel do Areal na finalização do mapa da atividade de cartografia social. Da esquerda para direita: Rogério e Miguel (01/07/22).
Abertura do campo na comunidade Peniel do Areal com a atividade tecendo redes entre os comunitários (29/06/22).
Grupo Sateré Mawé reunido para para a atividade Word Café com o tema Mi’ú Torania Pe (alimento para todos), Ilha Michiles – Terra Indígena Andirá Maráu. Da esquerda para direita Sidnei, Adriani, Mizia, Izéte, Neanderson (08/07/22).
Momento de troca de postos na atividade Word Café com os temas: Alimento bom, alimento limpo, alimento para todos, Ilha Michiles (08/07/22).

Outro documento importante cujo desenvolvimento teve início neste primeiro campo, foi o Protocolo para Sistemas Agrícolas Tradicionais (SAT), o qual abarca diversos pontos, como o detalhamento das práticas do modo de produção agrícola, acesso às políticas públicas, ao mercado, entre outros assuntos. Para isso, além das informações oriundas das reuniões promovidas, a visita aos sistemas agrícolas destas comunidades, com a aplicação das metodologias de Cartografia Social, Turnê Guiada e Observação Participante, foi uma etapa importante para melhor compreensão destas agriculturas.

Visita guiada pelo sítio do seu Enock Michiles no plantio de waraná, aos fundos da Ilha Michiles. Da esquerda para direita Sidnei, Bruno e Neanderson (10/07/22).
Ilha Michiles vista de fora pelas margens do rio Marau (10/07/22).
Visita à comunidade Nova Jerusalém para encontro com liderança na definição do Ajuri para revitalização da maloca de visitantes. Crianças brincam. Terra Indígena Andirá Marau (09/07/22).

Vale destacar as particularidades de cada uma destas comunidades. No Peniel do Areal, este grupo de agricultores e agricultoras familiares produzem abacaxi orgânico que possui certificação pelo Sistema Participativo de Garantia (SPG) Maniva. A qualidade deste abacaxi é conhecida na região, em especial em Manaus, onde os produtos são comercializados nas feiras orgânicas e convencionais da cidade. A produção orgânica de guaraná pelos produtores e produtoras da AAFAU – ribeirinhos e ribeirinhas que produzem de maneira tradicional – é atestada por meio de auditoria e tem ganhado destaque pela qualidade da produção. O produto, beneficiado e embalado como pó de guaraná orgânico, é comercializado na feira da Ufam em Manaus e está em processo de exportação para Europa. As atividades com a Weipanug, associação recém-criada no baixo Marau, na TI Andirá Marau do povo Sateré-Mawé, tem o destaque da inserção de produtores e produtoras individuais no edital da alimentação escolar indígena no município de Maués.

Visita guiada dos comunitários da Brasiléia na plantação de guaraná do seu Elcy e dona Lúcia. Baixo Urupadí (05/07/22).
Visita guiada dos comunitários da Basiléia na trilha do guaraná selvagem.  Sítio da dona Odinéia, Baixo Urupadí (06/07/22).

A aplicação destas ferramentas em campo pode contribuir com a identificação de restrições para o desenvolvimento destas associações de base, tendo um foco na questão de gênero. A partir da compreensão dessas restrições, esperamos criar estratégias para o enfrentamento das mesmas e assim traçar possibilidades de solucioná-las. Nesse sentido, reforçamos a importância da atuação em rede com demais instituições, governamentais e não-governamentais, para junto com estas associações, avançarmos com o desenvolvimento local.

Visita guiada pela plantação de Abacaxi  no sítio do seu Rubenilson. Peniel do Areal (30/06/22).
Demonstração de como plantar as mudas de abacaxi. Sítio do seu Rubenilson – Peniel do Areal. Da esquerda para direita Bruno, Miguel e Rubenilson (30/06/22).
Visita guiada pelos comunitários do Peniel do Areal em uma casa de farinha (30/06/22).

Logo mais teremos novas atividades de campo e esperamos contribuir com novos passos com as comunidades. Para isso, devemos avançar com informações referentes às produções locais e possível fornecimento para os editais de compras públicas, seja ao município ou ao estado. Além disso, pretendemos fortalecer o catálogo Arca do Gosto do Slow Food na Amazônia, um método utilizado pela instituição para catalogar produtos com algum grau de ameaça de extinção.

A Associação Slow Food do Brasil estabeleceu uma parceria para o desenvolvimento do projeto Sociobiodiversidade Amazônica com o projeto Bioeconomia e Cadeias de Valor, desenvolvido no âmbito da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da parceria entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, com apoio do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha. Este projeto está acontecendo nos estados do Amazonas, Acre e Pará ao longo de 2022 e 2023. 

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