Food miles – A corrida do alimento

Uma discussão tem ganhado espaço entre produtores de alimentos, varejistas, consumidores, e também especialistas nesses assuntos. Ela diz respeito à distância percorrida pela comida desde seu cultivo até seu derradeiro momento no planeta – ou seja, até a hora em que ela vai parar no seu estômago – e suas implicações. Em inglês, o termo usado para definir esse trajeto é "food miles", que podemos traduzir por "quilômetros do alimento".

O argumento mais utilizado em desfavor dos alimentos cuja origem está a uma grande distância de seu fim é que ele contribui para as mudanças climáticas. Claro, se para percorrer todo esse caminho, o alimento será transportado via avião, navio ou caminhão, grandes emissores de gás carbônico, não há muita dúvida de que o problema existe.

Mas a produção de um alimento consome muito mais do que gasolina ou diesel. Dois exemplos são os nutrientes do solo e a água. Outro fator importante é que, quanto mais tempo viaja, mais o produto perde suas propriedades nutritivas. 

Por tudo isso, se questiona (principalmente nos países europeus, maiores consumidores de orgânicos) se consumir produtos sem agrotóxicos é mesmo ambientalmente recomendável, caso eles venham de longe. Na opinião de algumas pessoas, a resposta é não.

Um casal canadense decidiu fazer a experiência de se alimentar somente com produtos feitos a até 100 milhas de sua casa. Escreveram um livro e criaram um blog para contar a história (www.100milediet.org). Na Inglaterra, também se diz aqui e ali que o ideal seria consumir só alimentos produzidos localmente. E isso não é só por uma preocupação ambiental, pois o governo britânico também está calculando os gastos em bilhões de libras, devidos a combustível e congestionamentos. 

Existem, no entanto, algumas ponderações a se fazer. Há países que não possuem muito território, nem clima muito favorável, para a produção de alimentos. Às vezes, o produtor rural não possui um mercado para comercializar seu produto em sua própria região ou país. Agricultores brasileiros dizem que exportar é, inclusive, uma maneira de divulgar o que produzem.

E você, o que pensa de tudo isso? Dá para comer somente produtos locais?

 


Elisa Almeida França é jornalista e faz parte da rede Terra Madre

 

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