Moção nº46 sobre Cultura Alimentar na 4ªCNC

(Foto: Socorro Almeida)

No dia 07 de março de 2024 foi registrada a Moção por ativistas da Cultura Alimentar. A entrega (foto) ocorreu pelas mãos de Tainá Marajoara, Socorro Almeida e Sulamita Santos durante a 4ª Conferência Nacional de Cultura (CNC), com mais de 200 assinaturas.

A moção retoma as lutas de mais de uma década pela inclusão da Cultura Alimentar como colegiado setorial dentro do Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC), que sofreu considerável retrocesso durante o governo Bolsonaro, quando a própria pasta da Cultura tinha sido reduzido a uma secretaria.

O documento retoma a moção 094, da 3ª CNC, de 2013, que teve como um dos principais desdobramentos a constituição de um colegiado setorial de cultura alimentar, e que foi perdido no último governo. Além disso, exige também que o termo gastronomia seja devidamente substituído pelo termo Cultura Alimentar, que além de ser muito mais amplo, evita a captura do termo por setores que apresentam conflitos de interesses em relação a alimentação.

Confira abaixo a íntegra da moção:

Moção nº 46 – Cultura Alimentar

Considerando a retomada democrática e a garantia da participação social;
Considerando a aprovação da Moção 094 e a experiência do Setorial de Cultura Alimentar e sua destruição pelo governo anterior;
Considerando a reformulação do CNPC, reivindicamos a criação e implementação imediata do Colegiado Setorial de Cultura Alimentar a partir do conceito orgânico e coletivo pautado durante a Conferência Nacional Temática de Cultura Alimentar e SAN o qual define a cultura alimentar como saber, fazer, falar, cultivar, criar, preparar, cuidar, curar e encantar. Traz em si a ancestralidade, espiritualidade, territorialidade e dimensões simbólicas e identitárias enquanto prioritárias. Conjunto de práticas, manifestações e expressões culturais alimentares, que transversalizam aspectos produtivos, socioeconômicos, de saúde, direitos humanos, justiça socioambiental e climática, terra e território, combate misoginias e o patriarcado, o racismo estrutural e a criminalização das práticas alimentares artesanais e religiosas. É indissociável de SAN, autodeterminação dos povos e bem viver.
Reivindicamos a substituição da palavra gastronomia pelo termo cultura alimentar em todo o escopo de políticas públicas, atividades e agendas do MINC-Ministério da Cultura no âmbito nacional e internacional.
Propor Dialogos da cultura alimentar nas cozinhas populares e sociais no país, de maneira transversal, através do ministério de desenvolvimento agrário e do ministério de desenvolvimento social.
Estabelecer critérios sobre COI – Conflitos de Interesses, a exclusão de investimentos culturais, financiamentos culturais e isenções fiscais que venham a beneficiar empresas nacionais e internacionais do mercado de agrotóxicos e transgênicos, indústrias e fabricantes de alimentos ultraprocessados e açucarados, empresas envolvidas judicialmente em processos trabalhistas , principalmente nos relativos a trabalhos análogos a escravidão, racismo e discriminação, e questões socioambientais.
Além de tudo, reivindicamos presença no programa de titulação embaixadores da Cultura Brasileira que seja indicação de guardiã cultural, mestra de cultura, cozinheira/o afrodescendente, cozinheira/o ancestral (oriundos de Povos Originarios e Povos de Comunidades Tradicionais).

Deixe um comentário:

Últimas notícias

Visual Portfolio, Posts & Image Gallery for WordPress

Movimento Slow Food e a Agroecologia

https://youtu.be/hSMgShmPpaM Há mais de 70 anos, sob promessas de alimentar o mundo, a Revolução Verde se baseia num modelo de produção agrícola dependente do uso intensivo dee petróleo, de devastação de matas...

Apresentação Tecendo Redes

Assista ao vídeo com Glenn Makuta, coordenador de articulação em rede e comunicação interna pela Associação Slow Food do Brasil. https://youtu.be/t-jhEc2XLw0 O projeto Tecendo Redes pelo Alimento Bom, Limpo e Justo para...