Um balanço do Slow Food na Rio+20

Enquanto o evento principal lutava para convencer muitos de suas soluções, o Slow Food realizava, sem alarde, atividades pela cidade para demostrar economias locais de alimentos orgânicos em ação… 

Segurança alimentar e agricultura sustentável foram um dos tópicos mais importantes da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável do no mês passado, devido ao forte impacto ecológico da agricultura e do sistema de produção alimentar atuais. No entanto, apesar de algumas discussões interessantes, muitos observadores e organizações internacionais concluíram que a conferência praticamente fracassou na apresentação de soluções. 

No diálogo oficial sobre Segurança Alimentar e Nutricional, o presidente do Slow Food, Carlo Petrini, juntou-se a mais dez palestrantes que concordaram que para o futuro da agricultura, é fundamental o empoderamento dos pequenos produtores em países em desenvolvimento. No final da sessão, os palestrantes e dois mil participantes votaram para escolher as três propostas mais urgentes: promover sistemas alimentares que sejam sustentáveis e melhorem a saúde; eliminar a miséria e a má nutrição ligada à pobreza; e desenvolver políticas para estimular a produção sustentável de alimentos dirigidas a produtores e consumidores. 

Enquanto isso, em bairros do Rio, o Slow Food organizava uma série de ações que demostravam como as comunidades estão se esforçando para botar em prática estes mesmos princípios. O Slow Food aproveitou a oportunidade para convidar moradores, visitantes da conferência e autoridades como o Comissário Europeu para Agricultura e Desenvolvimento Rural, Dacian Cioloş; o Comissário para o Desenvolvimento da UE, Andris Piebalgs; e o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, para visitar duas das seis feiras do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas – uma nova rede de agricultores orgânicos no Rio, apoiada pelo Slow Food. 

O comissário Piebalgs publicou este vídeo da visita à feira da Tijuca e comentou em seu blog sobre os projetos que promovem uma volta aos alimentos orgânicos, à produção e consumo locais e às comunidades de pequenos agricultores. “Chega-se à feira do Slow Food na Tijuca por uma rua longa e cheia de curvas que revela a floresta luxuriante que cerca o Rio. Maria, uma das responsáveis do movimento no Rio nos contou como ela trabalha nas favelas para trazer de volta o uso da mandioca, que é um dos principais produtos do Brasil, em vez de depender de trigo importado.” 

Cioloş também salientou a importância de um modelo de agricultura mais sustentável para preservar o meio ambiente e também as tradições culturais, contou sua experiência com os produtores locais durante a abertura da feira do Jardim Botânico, cujas fotos estão publicadas neste álbum.

Os produtores da feira apresentaram seus produtos em demonstrações culinárias e realizaram oficinas sobre compostagem. Na feira de Ipanema, o Slow Food organizou atividades didáticas como os Laboratórios do Gosto e uma Barraca de Degustação da Biodiversidade, de produtos brasileiros legítimos, praticamente desconhecidos do grande público. 

Durante a Rio+20, o Slow Food também publicou o guia Rio de Janeiro – 100 Dicas Slow Food com sugestões sobre alimentos “bons, limpos e justos”, organizadas por bairro. Foram distribuídas vinte mil cópias impressas, e três mil cópias eletrônicas foram baixadas apenas no primeiro dia do evento, dando dicas aos moradores do Rio e a milhares de visitantes sobre onde comer ou comprar alimentos locais e descobrir projetos sociais inovadores em comunidades carentes e favelas, assim como em muitos projetos de agricultura urbana que surgem nesta vibrante cidade. 

Experiências concretas de sustentabilidade também foram destacadas durante a palestra do Slow Food na Cúpula dos Povos, que reuniu produtores, chefs, professores, pesquisadores, líderes de projeto, acadêmicos e membros da rede Madre Terra para falar sobre o alimento e a sua complexa rede de produção. Carlo Petrini juntou-se ao público que lotava o pavilhão para ouvir relatos sobre experiências reais das comunidades que usam produção e consumo de alimentos como instrumento de transformação social. 

O Slow Food trabalha com agricultores do Rio desde dezembro de 2011, promovendo o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas como parte de um compromisso para criar oportunidades de contato direto entre pequenos produtores e consumidores, defendendo o direito de cada um a um alimento bom, limpo e justo. 

A associação está presente no Brasil desde 2002 e conta com 32 convivia, envolvendo mais de 40 mil produtores em projetos como a Arca do Gosto, Fortalezas e Terra Madre. 

Fontes: 
www.nationmultimedia.com
www.terramadre.org

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