Maria Preta

Arca do Gosto // Fruta fresca, desidratada, castanhas e derivados

murta, murteira, murtinha, guamirim, cambuí, cambuim, piúna, arrayán, anacahuita // Blepharocalyx salicifolius // Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampas

De ocorrência também na Bolívia, Paraguai,  Argentina e Uruguai, a maria-preta é uma árvore pertencente à família das Mirtáceas, que costuma atingir entre 6 e 20 m de altura.  Apresenta flores pequenas e brancas, muito perfumadas, que se abrem entre outubro e janeiro e são bastante procuradas por insetos. 

O fruto apresenta casca de cor variável entre vermelha e preta, , revestindo uma polpa cremosa, com sabor leve e adocicado, de cor amarelada, que abriga semente de cor creme. Surgem geralmente a partir de maio e são muito procurados por pássaros, primatas e lagartos. Esses animais consomem a fruta especialmente quando ela atinge cor lilás, ponto máximo de maturação.  

A fruta era utilizada pelos indígenas para o preparo de bebidas fermentadas. As flores atraem abelhas para a produção de mel. Na região do Pantanal a maria-preta é usada como isca para pescarias. Comunidades tradicionais e moradores locais do cerrado aproveitam o óleo essencial da infusão das folhas para causar efeito diurético e de depuração natural do sangue. A beleza e resistência de seu arbusto faz com que a maria-preta  seja utilizada em projetos paisagísticos e restauração florestal.

A árvore de características rústicas é adaptável aos variados ambientes, desde campos abertos até sub bosques desenvolvidos, sendo particularmente frequente nas matas ciliares e submatas dos pinhais de solos úmidos.  Resistente, a maria-preta sobrevive a secas e altas temperaturas, que chegam aos 44°C. 

A produção indiscriminada de soja e outros ingredientes que caracterizam a monocultura tem colocado esse fruto em risco. A derrubada de plantas nativas do Cerrado para a expansão do agronegócio tem contribuído para o consumo cada vez mais raro do fruto.  

Usos gastronômicos 

Consumo in natura, em sucos, sorvetes, doces e geleias, para saborizar bebidas alcoólicas e chás, preparado a partir de folhas, cascas e raízes. 

Referências:

Livro Frutos e Sementes do Cerrado Atrativos para Fauna. Autor: Marcelo Kuhlmann.  

Livro: Lorenzi, H. 2002. Árvores Brasileiras  – Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Nativas do Brasil. Vol. 2.

https://es.wikipedia.org/wiki/Blepharocalyx_salicifolius

http://sites.unicentro.br/wp/manejoflorestal/8908-2/

http://www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/open_sp.php?img=312

Indicação

Marcelo Kuhlmann e Anderson Medeiros

Pesquisa

Sara Campos

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