Hî-Hî

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não se aplica // não se aplica // Pantanal / Mato Grosso do Sul // Povo Terena

A etnia indígena terena participou de um importante capítulo da história brasileira: a Guerra do Paraguai. A importância deste grupo vai além das páginas de história que chega até a cultura alimentar com o hî-hî, bolinho à base de mandioca cuja técnica de preparo revela a importância da ancestralidade e foi elaborada durante a única guerra em território brasileiro.   

A necessidade de um alimento menos perecível foi o que resultou no surgimento do hî-hî, que pode durar por até seis meses. O modo de preparo do bolinho tem sido cada vez menos praticado entre as novas gerações. Para o preparo, as mulheres indígenas selecionam folhas de bananeira novas e limpas que posteriormente são seladas no fogo. Em seguida, são cortadas em retângulos de aproximadamente 20 X 20 cm. 

A mandioca é descascada e ralada artesanalmente. Acrescenta-se água de rio na mandioca. Com o auxílio de um pano de algodão, o ingrediente é torcido até ter grande parte da umidade retirada, o que ocasiona a separação da fécula. Para garantir uma separação mais precisa, é necessário deixar a fécula descansando em um recipiente por duas horas. Ela pode ser utilizada para o preparo do poheu, um bolinho de fécula de mandioca e do latate, beiju feito com a massa da mandioca. 

Depois de torcida, a massa de mandioca é moldada em formato retangular, depois é colocada nos retângulos de folha de bananeira e lacrada com trouxinhas individuais com folha de bocaiúva. O bolinho é cozido em água por aproximadamente 15 minutos. Quando a folha de bananeira atingir a cor marrom, é sinal de que o bolinho está pronto. Para aumentar a durabilidade, os bolinhos podem ser soleados, ou seja, expostos ao sol por aproximadamente duas horas. 

(Foto: Luna Garcia)

O quitute tem alta durabilidade, de aproximadamente seis meses. É bem apreciado em datas comemorativas como Dia do Índio, casamentos e aniversários. Geralmente nessas ocasiões o hî-hî é servido na gihou, mesa preparada com a forquilha, nome dado a galhos de árvore conectados entre si, além de outros pedaços de madeira. Esse modo de preparo ainda é preservado nas aldeias rurais Bananal, Ipegue, Lagoinha, Água Branca, Limão verde, Cachoeirinha, Moreira e Buriti.

Indicação

Kalymaracaya

Pesquisa

Sara Campos

Revisão

Ligia Meneguello

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