Canta, passarada linda, flor de jurubeba
Quem procura acha cura, flor de jurubeba
Quem procura acha na raiz de jurubeba
Tudo que é de bom pro figueredo e que se beba
Feito vinho, feito chá
De licor, de infusão
Jurubeba, jurubeba, planta nobre do sertão
Jurubeba (Gilberto Gil)
Jurubeba é um termo que deriva do tupi “yú”, espinho, e “peba”, chato; ou seja, planta de espinhos achatados. Nativa do Brasil e das Guianas, a planta ocorre em toda a América tropical, chegando até regiões do Paraguai e da Argentina. Faz parte da família das Solanáceas, que só no Brasil apresenta cerca de 350 espécies, entre elas a batata (Solanum tuberosum), o tomate (Solanum lycopersicum), a berinjela (Solanum melongena), o jiló (Solanum aethiopicum ) e o tabaco (Nicotiana tabacum).
É mais comum encontrar a jurubeba em estado arbustivo, mas a planta pode chegar até 3 metros de altura, com espinhos curvos no tronco, folhas lisas e macias, que apresentam uma penugem na parte inferior, flores da cor lilás ou brancas e frutos que vão do amarelado ao verde. Se espalha de forma espontânea, levada por pássaros e outros animais e se adapta a terrenos variados, sem exigência de maiores cuidados. Cresce de forma vigorosa e tem produção abundante.
A espécie é registrada na Farmacopeia Brasileira (compêndio que define as especificações para o controle de qualidade medicamentos e insumos para a saúde) como remédio contra anemia e para desordens hepáticas e digestivas. Suas propriedades são bem conhecidas na medicina popular e exploradas também na culinária, onde a planta é considerada uma aliada para tratar os efeitos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de comidas muito pesadas. Os talos e raízes são utilizadas para fins terapêuticos e como tônico digestivo (na forma de infusões e macerações em álcool), enquanto para a alimentação utilizam-se os frutos, após fervuras sucessivas que retiram parte do amargor.
Apesar das propriedades reconhecidas e fácil multiplicação e cultivo, a jurubeba é cada vez menos encontrada em feiras e mercados e pouco explorada na alimentação. Seu consumo diminui à medida que diminuem os quintais, canteiros e áreas sem cimentos nas cidades e zonas periurbanas, onde costumava nascer facilmente. Junto com ela, desaparecem os sabores e as técnicas para transformá-la em um ingrediente valioso, que sofre com o desinteresse e o desconhecimento de quem privilegia somente alimentos mais fáceis de se preparar.
Usos gastronômicos:
Para o consumo da jurubeba utilizam-se os frutos ainda verdes e rígidos, fervidos (escaldados) sucessivas vezes em água (trocando a água de duas até cinco vezes, se necessário) para retirada de parte do amargor. Em seguida, pode-se utilizar os frutos temperados, refogados, cozidos com outros ingredientes ou para preparação de conservas.
É muito comum a preparação de guisados, com os frutos cozidos com tomate, cebola, cheiro verde, pimentão, entre outros. Entre as combinações mais clássicas, estão também a jurubeba cozida com arroz ou com carne moída. Também sugere-se temperá-las com limão para o consumo em aperitivos, além de ingrediente para a preparação de omeletes.
De um modo geral, a jurubeba permanece em vidros de conserva guardados juntos com os temperos, de onde os apreciadores retiram a quantidade de frutos desejada para acompanhar as refeições.
Receitas:
Conserva de jurubebas
Receita de Neide Rigo, do blog come-se
http://come-se.blogspot.com.br/2009/05/jurubeba-em-conserva-arroz-de-curcuma-e.html
1 xícara de jurubebas bem verdinhas
Sal para escaldar
1 xícara de vinagre de vinho branco
1/3 de xícara de água
1 colher (sopa) de açúcar
½ colher (sopa) de sal
1 colher (chá) de sementes de coentro
3 cravos
1 dente de alho cortado em fatias
2 pimentas malaguetas ou 1 dedo-de-moça cortada em rodelas
Coloque para ferver uma chaleira com bastante água. Lave bem as jurubebas, cubra com água fria e leve ao fogo com 1 colher (chá) de sal. Quando ferver, escorra, coloque mais água quente (da chaleira) com sal e repita o operação. Faça isto de 5 a 7 vezes para que as bolinhas fiquem com um amargo gostoso. No final, acrescente todos os outros ingredientes e deixe ferver. Coloque ainda quente em vidro de conserva de meio litro aferventado e também ainda quente. Feche bem e deixe na geladeira. Espere curtir por pelo menos uma semana.
Rende: 1 vidro de meio litro
Arroz de camarão com cúrcuma e jurubeba
Receita de Neide Rigo, do blog come-se
http://come-se.blogspot.com.br/2009/05/jurubeba-em-conserva-arroz-de-curcuma-e.html
200 g de camarões frescos com casca (sem cabeça)
1/3 de colher (chá) de sal (para temperar o camarão)
Filetes de uma pimenta dedo-de-moça
Meia cebola picada finamente
1 colher (sopa) de azeite
1 xícara de arroz branco cateto
1 colher (chá) de sal
1 colher (chá) de cúrcuma (açafrão-da-terra ou da-índia) em pó
2 colheres (sopa) de jurubeba em conserva escorrida
2 xícaras de água quente
Tempere os camarões com o sal e a pimenta dedo-de-moça. Reserve.
Numa panela, refogue a cebola no azeite, só para murchar. Junte o arroz, o sal, a cúrcuma e a jurubeba e refogue, mexendo, por 1 minuto. Despeje água quente e espere ferver. Abaixe o fogo, tampe a panela e cozinhe por 5 minutos. Espalhe por cima os camarões com as pimentas, tampe e deixe cozinhar até toda a água secar (cerca de 10 minutos). Se quiser, junte cheiro-verde por cima (eu não quis). Ou umas tirinhas de pimenta para alegrar.
Rende: 4 porções de arroz cremoso
Vinho medicinal da jurubeba
Receita do site Plantas que Curam
http://www.plantasquecuram.com.br/remedios/Vinho-medicinal-da-jurubeba.html#.V865zzXJKRw
Ingredientes: Raízes secas da jurubeba e Vinho branco seco.
Modo de preparo: Colocar em uma garrafa de litro quatro colheres das de sopa de raízes secas e picadas da jurubeba. Adicionar uma garrafa de 750ml de vinho branco seco. Deixar em maceração durante oito dias. Coar. Guardar de volta na garrafa de vinho usada.
Referências:
LEITÃO FILHO, H.F.; ARANHA, C; BACCHI, O. Plantas invasoras de culturas no estado de São Paulo. Vol. 2, 1975. HUCITEC e AGIPLAN, São Paulo.
PIO CORRÊA, M. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Vol 4. Ministério da Agricultura, IBDF. Rio de Janeiro, 1969.
ZURLO, C. & BRANDÃO, M. 1990. As ervas comestíveis: descrição, ilustração e receitas. Editora Globo, São Paulo
RIGO, Neide. Jurubeba. Em conserva. Arroz de cúrcuma e camarão com jurubeba. Come-se, 26/05/2009. Disponível em: <http://come-se.blogspot.com.br/2009/05/jurubeba-em-conserva-arroz-de-curcuma-e.html>. [Acesso em: 22/11/2021]



