Casa colonial Seara

Produtos legalmente atestados de agricultores familiares são confiscados e destruídos em Santa Catarina

Casa colonial Seara

A Casa Colonial, loja de comercialização de produtos da agricultura familiar localizada em Seara-SC, foi alvo de uma ação da Vigilância Sanitária Estadual de Santa Catarina, juntamente com representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC). Nessa ação, os fiscais, amparados pela polícia, entraram na loja e apreenderam produtos como vinhos artesanais orgânicos e peças do queijo típico da região, o queijo colonial. Todos os produtos apreendidos estavam registrados no Serviço de Inspeção Municipal e possuíam autorização para serem comercializados. Clientes, que estavam no local, tentaram impedir a apreensão  e ouviram discursos de que os produtos eram duvidosos, inadequados e que se os consumissem iriam acabar ficando doentes.

Além da significativa perda financeira para os produtores, a agressividade do ato também causou outros danos. Um dos produtores do vinho apreendido chorou em entrevista à rádio local ao relatar as ofensas sobre o seu produto. Outra produtora de queijo Colonial, que já foi obrigada a submeter seus queijos ao processo de pasteurização para poder comercializá-los legalmente, informou que sua família sempre produziu e consumiu queijos coloniais de Leite Cru sem nunca terem tido nenhuma doença ou complicação, mas mesmo com a adoção de todas as adequações exigidas, continua sofrendo com a fiscalização por preconceito.

Valdir Magri, presidente da cooperativa CRESOL-CREDISEARA, informou que após a apreensão tentaram reaver os produtos, mas todos foram incinerados no lixão municipal da cidade. Por fim, ao informarem a vigilância sobre as leis pelas quais os produtos estavam amparados, receberam a resposta de que os fiscais desconheciam tais leis. Ora, se ninguém pode alegar desconhecimento da lei, agentes do poder público muito menos. Os produtores pagaram pelo desconhecimento, falta de preparo e abuso de poder da fiscalização estadual, que confiscou indevidamente e destinou ao lixo produtos artesanais da mais alta qualidade amparados por lei e regulamentados pelo município.

Conhecemos os produtores artesanais de Seara por estarem inseridos no movimento Slow Food, pela seriedade do trabalho que executam e pelo esforço empenhado para que seus produtos alimentícios tenham qualidade e sejam bons para a saúde de seus consumidores. Assim, repudiamos essas ações arbitrárias da fiscalização sanitária que só causam a desvalorização da profissão de agricultor familiar e de seus produtos. 

 

Leave a Comment:

Últimas notícias

Visual Portfolio, Posts & Image Gallery for WordPress

7

Transumância

Date 5 dezembro, 2022
Era uma manhã de domingo nublada, um pouco chuvosa. Final de outubro, outono em Madrid. Algumas das principais ruas do centro da...

Dona_joana_manue_foto_Jussara_Dantas

Três vezes manuê

Date 1 dezembro, 2022
O manuê ou manauê é um bolo de milho e melado de cana com muito sabor e muita história. Faz parte do...

WhatsApp-Image-2022-11-17-at-16.22.06

“É preciso mudar radicalmente o sistema alimentar vigente”, defende Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, em evento realizado em São Paulo no início de novembro de 2022.

Por mais ativismo alimentar na gastronomia

Date 18 novembro, 2022
“É preciso mudar radicalmente o sistema alimentar vigente”, defende Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, em evento realizado em São Paulo...

taioba Festival Arca do Gosto 2016

Festival Arca do Gosto

Date 16 novembro, 2022
O Festival Arca do Gosto é um festival ecogastronômico voltado para a sensibilização de restaurantes e comensais sobre a biodiversidade e os...