Sabor da Caatinga

Sabor da Caatinga

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Aldeia Rajado
Serra das Matas
Monsenhor Tabosa (CE)

A Aldeia Rajado está no território dos Tabajaras da Serra das Matas, no município Monsenhor Tabosa. Lá, a tradição local de criação de abelha-jandaíra tem sido retomada por Mardokeu. A jandaíra é uma abelha sem ferrão, nativa do território, e tem com o povo Tabajara da Aldeia Rajado uma relação íntima, cujos saberes ancestrais e seus usos medicinais tradicionais reforçam tal vínculo.

O uso medicinal do mel de jandaíra previne e cura diversos problemas principalmente do trato respiratório como bronquite e garganta inflamada, auxiliando no tratamento da gripe. São conhecidas também propriedades antioxidantes e antiinflamatórias.

Esta iniciativa ainda não atingiu seu potencial comercial, tendo buscado oportunidades para alcançar seu potencial produtivo, com projetos aprovados pelos governos estadual e federal para a construção de um meliponário.

O mel de jandaíra da Serra das Matas tem um sabor levemente ácido e frutado, graças à seletividade das abelhas que buscam seu néctar na diversidade florística local, tanto das plantas cultivadas como da vegetação nativa. Na serra rajada, que fica em torno da aldeia e a nomeia, a manutenção da vegetação em pé é chave para garantir a qualidade de méis, cera e própolis produzidos pelas abelhas, e também o bem-estar destes animais.

Outro fator que contribui para o bem-estar dos animais é o não uso de agrotóxicos e fertilizantes potencialmente nocivos nas roças, pois impacta diretamente na qualidade do mel, da cera e do própolis, garantindo a saúde das abelhas. Comparada à de Apis (abelha africanizada com ferrão) a jandaíra tem colmeias consideravelmente menores, necessitando de caixas de manejo adequadas para garantir a regulação de temperatura, a limpeza e todo o funcionamento normal do enxame. 

Na ocasião da colheita, há sempre o cuidado de se manter 20% do mel na caixa para a colmeia se alimentar e se manter saudável para se proteger contra eventuais problemas como os forídeos, uma mosca que bota ovos nos potes de pólen da colmeia.

O mel da jandaíra é mais líquido, e depois de colhido fermenta numa caixa em ambiente protegido da luz, sendo aberta a cada 2 ou 3 dias por 20 a 30 dias para liberar a umidade. Depois da maturação, o mel é embalado.

A colheita do mel ocorre predominantemente de janeiro a maio, evitando o período mais seco uma vez que as abelhas produzem menos mel. A depender da produção de mel e das condições ambientais é possível realizar duas colheitas no ano, com intervalo de 6 meses. Cada colheita resulta em 1L por colmeia.

Para além da importância cultural, esta criação de jandaíra também é relevante ambientalmente, promovendo a conservação da Caatinga e da própria espécie, que se encontra em risco de extinção principalmente pela perda de hábitat pela atividade humana. Esta criação ainda tem um papel pedagógico relevante, fazendo  esta abelha mais conhecida e mostrando a importância delas, visibilizando também a função ecológica na manutenção das matas.

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