
Horta do Paulo
Na Aldeia São Manuel, do povo Tabajara da Serra das Matas, um alimento se destaca na agricultura local: o cheiro-verde. O seu cultivo se entrelaça com a história e identidade neste território e remonta a 2011, anterior à retomada ocorrida a partir de 2015. A Horta do Paulo é batizado em homenagem póstuma à liderança local, que transformou a comunidade a partir da agricultura. Hoje em dia, Manu dá continuidade ao que seu pai iniciou.
A retomada do território, o sonho da família de viver da agricultura e a produção de cheiro-verde são indissociáveis, representando a fixação da comunidade no local e a prática agrícola que simboliza este estabelecimento, além de gerar renda e dignidade à comunidade.
A produtividade das hortaliças é bem maior no período chuvoso (inverno) e o coentro cresce mais rápido. Em 20 a 25 dias está pronto para colheita. Já a cebolinha leva entre 60 a 65 dias e pode ser colhida ao longo de todo o ano, uma vez que é feita por desbaste e a planta rebrota. São utilizadas irrigação e energia solar para manter os canteiros.
Conforme a produção de cheiro-verde foi bem sucedida e começou a dar retorno, outras famílias também se mobilizaram para trabalhar com o cultivo da hortaliça. Esta produção de cheiro-verde envolve 12 pessoas entre familiares e vizinhos. A produção vai para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) Indígena e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), chegando à escola na Aldeia Rajado, Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental (EMEIF) Santo Antônio (no próprio distrito) e para cozinha comunitária de Tamboril.
A produção que começou com três canteiros, hoje já abrange 70, e ocupa uma área de 5 hectares, as cebolinhas e coentros são protegidas do vento por árvores frutíferas como limão, pitanga, goiaba, abacate, graviola, acerola, siriguela e umbu.
Se nas gerações passadas o esforço dos pais era que seus filhos estudassem para sair da comunidade e ir pra cidade, hoje a situação se inverteu e agora se busca a permanência no campo e a reprodução deste modo de vida, com bem viver e soberania alimentar, a partir da produção agroecológica, em respeito também aos ancestrais que permitiram que a comunidade chegasse ao ponto que hoje se encontra.














