
Em Beberibe se encontra o Sítio Campo Verde da Lagoa, no Norte Cearense, a 100km de Fortaleza. O sítio inicialmente era uma casa de veraneio mas em 2020, durante a pandemia, passou a ser manejado para abrigar duas agroflorestas numa área de 700 m², uma para produção de abelhas nativas e outra para a criação de galinhas caipiras. O sítio conta também com o meliponário e o galinheiro.
O principal produto na sustentabilidade do sítio são os ovos caipiras agroflorestais, mas o foco aqui é na criação de abelhas sem ferrão, em que se destaca a jandaíra, contando com 27 colmeias, sendo 17 mais consolidadas.
Com as agroflorestas, o sítio acabou naturalmente assumindo uma dinâmica de mutirões e cursos, que difunde a prática da agrofloresta ao mesmo tempo em que faz manejos maiores periódicos por meio destas atividades, envolvendo dezenas de pessoas no processo. Assim o Campo Verde da Lagoa se tornou uma vitrine de visitações, estudos e cursos com juventudes e mulheres rurais, exercendo uma função educativa relevante.
A agrofloresta foi planejada para ser rica em espécies nativas melíferas, contando com sabiá, angico, jurema, ipê, catingueira, cajueiro e outras frutiferas como manga, caja, acerola, abacate, seriguela, graviola.
Na entressafra não é realizado nenhuma colheita neste período e não se faz uso de suplementação alimentar das caixas. O próprio mel estocado e a agrofloresta dá conta de manter as abelhas, sendo um importante indicador da saúde deste ecossistema agroflorestal.
As colheitas ocorrem sempre dos potes de mel que estão fechados, pois está devidamente maturado e são envasados no próprio local. Os méis variam suas características com sabores, cores e texturas que variam a cada colmeia e a cada safra, por conta da diversidade de plantas e das condições climáticas do período da colheita. A variação também ocorre em relação a produção de samburá, sendo que algumas colmeias produzem e outras não.
Além da venda de mel sob encomenda, o meliponário promove a comercialização de matrizes. O Campo verde da Lagoa se situa no litoral e está numa região com forte especulação imobiliária e se torna uma resistência ao apostar na atividade rural para a manutenção econômica do sítio, difundindo práticas sustentáveis a partir da biodiversidade local.















