Balanço do Coqueiro

Grupo de produção Balanço do Coqueiro

(88) 9981011108

oleodecocoagroecologico

Assentamento Maceió
Itapipoca (CE)

“Vem, mulher, de mãos dadas vamos caminhar.
Ó, mulher, vamos juntas a história fazer.
Vem, mulher, que unidas vamos triunfar.
Novo rumo a história verá e a vitória vai acontecer.
Ó, mulher, tua história nunca foi contada.

Ó, mulher, poucos livros revelam teu ser.
Ó, mulher, és mais vista como um objeto
para dares carinho e afeto em um mundo de falso prazer.
Vem mulher, te organiza e abraça essa luta.
Vem mulher, verás uma nova geração.
Vem com garra, vigor e energia.
Junta às outras com muita euforia,
muda o rumo da nossa nação.”

Nazaré Flor

O Assentamento Maceió, em Itapipoca, se localiza na região litorânea e é fruto da luta pela terra, enfrentaram tratores e patrões, com protagonismo feminino. São doze comunidades, a menor delas é o Sítio Coqueiro, que é formado por 35 famílias, e onde mora Rojane, mulher negra, agricultora agroecológica, artista popular e produtora do óleo de coco.

O coqueiro é um símbolo de resistência local, pois resulta da reforma agrária de uma terra na qual era visado uma fazenda de grande monocultivo de coco. E hoje o coco que lá se cultiva é  agroecológico, junto com a mandioca e a pesca artesanal, com grande envolvimento de mulheres e jovens.

A comunidade conta com uma unidade de processamento do coco agroecológico proveniente da própria comunidade e dos arredores, envolvendo cerca de 10 pessoas no processamento, divulgação e comercialização dos produtos. O coco é entregue descascado pelos agricultores para a produção do óleo, que é o carro-chefe, mas também outros subprodutos como farinha, sabonete, manteiga, coco ralado e cocada são obtidas ali. Os produtos são escoados em feiras de Itapipoca e Fortaleza, na própria comunidade e nas comunidades dos arredores. 

O óleo de coco está na cultura alimentar da região há muito tempo e sua obtenção foi aprimorada ao longo do tempo. Tradicionalmente era produzido de forma artesanal pelas mulheres em suas casas, com a extração do óleo a quente, ou seja, a partir do leite de coco fervido, separando o óleo da polpa. Esta era uma prática muito comum e que rememora um passado de pobreza quando a produção de óleo de coco era necessária, pois não se tinha dinheiro para comprar óleo de soja.

Quando o grupo de jovens teve contato com a extração de óleo a frio, decidiram retomar a prática de produzir o óleo de coco na comunidade, dada a importância da prática cultural e alimentar local. Na extração a frio, o leite é refrigerado ou congelado, e posteriormente deixado no sol até o óleo se separar do restante do leite. Inicialmente a própria comunidade estranhou e muita gente se opôs a adotar seu uso por conta de que o óleo representava na memória coletiva um passado difícil, mas pouco a pouco o produto passou a ter aceitação geral. 

Conforme foram testando e experimentando outras formas de fazer, encontraram o processo de fermentação do leite de coco, no qual se obtém óleo e sólidos, num processo de 48h. Este método resultou num produto sem a opacidade que tinha na prensagem a frio, melhorando ainda mais o visual do produto. Atualmente a fermentação foi otimizada e com baldes de decantação mais adequados e o processo foi reduzido à metade do tempo.

O óleo do grupo de produção Balanço do Coqueiro além de ser um produto agroecológico de altíssima qualidade, representa história, identidade, comunidade, luta pela terra e por soberania, protagonismo feminino e fixação do jovem do campo que tem perspectiva no campo, exalando vida, arte, cultura, agroecologia, dignidade e bem viver.

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